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Rádio GOTHMLP

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

A vida de São Francisco de Assis antes de sua conversão

Do nascimento, da vaidade, da fidalguia e da prodigalidade de Francisco, e como, daí, chegou à generosidade à caridade para com os pobres
Bonaventura Berlinghieri São Francisco e cenas de sua vida, 1235, uma das mais antigas pinturas representando São Francisco de Assis
Oriundo da cidade de Assis, situada nos limites do vale de Espoleto, Francisco recebeu de sua mãe o nome de João; no entanto, seu pai, em cuja ausência o menino nascera, ao voltar da França lhe impôs o nome de Francisco.
Já adulto e bem dotado, exerceu o ofício paterno nas lides do comércio, mas de forma completamente diversa, pois era muito mais alegre e liberal que ele. Vivia na boemia jogralesca, passeando de dia e de noite pela cidade de Assis, em companhia de amigos do mesmo temperamento, pródigo nos gastos e dissipando tudo o que tinha e ganhava em banquetes e festas e outras superfluidades.
Os pais o repreendiam por isso, dizendo que pelas grandes despesas que ele fazia consigo e com os outros não parecia ser filho deles, mas de algum grande príncipe. Como, porém, eram ricos e o amavam com ternura, permitiam-lhe tais extravagâncias, para não entristecê-lo. Quando a mãe de Francisco ouvia as vizinhas comentar acerca de sua prodigalidade, respondia: “Que pensais de meu filho? Ainda terá a graça de ser um santo de Deus!”
Não só era generoso em tudo, e mesmo pródigo, como também se excedia nas muitas maneiras de vestir, trajando roupas mais caras do que lhe seria conveniente. Sua extravagância chegava ao ponto de colocar remendos ordinários em seus trajes de fazenda caríssima.
3. Era contudo naturalmente comedido nos costumes e nas palavras. Guardava o firme propósito de jamais dirigir injúrias a quem quer que fosse. Antes, sendo jovem, brincalhão e boêmio, fez consigo mesmo o propósito de nunca responder a quem lhe falasse torpezas. Por isso, correu sua fama por quase toda a província, e todos os que o conheciam afirmavam que ele era chamado a ser homem de grande valor.
Partindo destes graus de virtudes naturais, chegou a tal perfeição que dizia a si mesmo, depois da conversão: “Se és generoso e cortês com os homens de quem não recebes coisa alguma, a não ser favores transitórios e de pouco proveito, é justo que, por amor de Deus, que é generosíssimo em retribuir, o sejas também com os pobres”. E, desde então, olhava-os com prazer, dando-lhes copiosas esmolas. Embora comerciante, mostrava-se muito vaidoso em dissipar os bens terrenos.
Certo dia, estando na loja entretido na venda de panos, veio um pobre pedir esmola pelo amor de Deus. Absorto como estava na ganância das riquezas, negou-lhe a esmola; mas logo, tocado pela graça divina, repreendeu-se por tanta rudeza, dizendo: “Se aquele pobre tivesse pedido algo em nome de algum conde ou barão, com certeza o terias atendido, quanto mais não o deverias ter feito pelo Rei dos reis e Senhor de todos!”
Pelo que, de então em diante, propôs em seu coração nunca mais negar o que pedissem em nome de tão grande Senhor.
Fonte: Legenda dos três companheiros

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