Igreja

Rádio GOTHMLP

quinta-feira, 27 de março de 2014

Pelo sim de Maria, fomos redimidos

No dia 25 de março toda a Igreja celebra a festa da Anunciação do Anjo São Gabriel a Santíssima Virgem Maria, revelando que ela seria a Mãe de Deus.

Era plano de Deus dar ao mundo um Salvador, ou seja: aos pecadores, uma vítima de propiciação; aos retos, um modelo; a virgem – que permaneceria virgem – um filho; e ao Filho de Deus, uma nova natureza, a natureza humana, passível de sofrimento e morte, não de pecado, de modo a poder satisfazer a justiça de Deus, ultrajado por nossas transgressões.

O Espírito Santo, seu Esposo, não se contentou em gerar n’Ela, virginalmente, Jesus, o Homem-Deus, mas enriqueceu-a com todas as graças possíveis de serem dadas a uma criatura humana. Diz Santo Agostinho: ”Deus reuniu todas as águas e chamou-as mar, reuniu todas as graças e chamou-as Maria”. Esse dito pode ser comprovado pelo modo do Anjo Gabriel iniciar sua mensagem: ”Ave cheia de graça”. Sendo Maria a serva fiel do Senhor, responde com toda solicitude e humildade: ”Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra”.

Neste momento, o mundo, envolto nas trevas do pecado, pelo sim da Virgem, tem sua liberdade às portas. Os santos e profetas já ansiavam por isso a séculos. Além do mais, a natureza divina une-se para sempre à natureza humana. “A alma de Nosso Senhor Jesus Cristo, criada do nada, começa a deleitar-se em Deus e conhece todas as coisas passadas, presentes e futuras. Começa então Deus a ter um adorador que é infinito, e o mundo começa a ter um mediador que é onipotente.”
Ora, na obra desse grande mistério, tão somente Maria é escolhida para cooperar mediante o seu livre assentimento.

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EVANGELHO DIÁRIO

Santo do dia: São Ruperto de Salzburgo, Bispo
Cor litúrgica: roxo
Evangelho de hoje: São Lucas 11, 14-23
Primeira leitura: Jeremias 7, 23-28
Leitura do livro do Profeta Jeremias:
Assim fala o Senhor: 23“Dei esta ordem ao povo dizendo: Ouvi a minha voz, assim serei o vosso Deus, e vós sereis o meu povo; e segui adiante por todo o caminho que eu vos indicar para serdes felizes. 24Mas eles não ouviram e não prestaram atenção; ao contrário, seguindo as más inclinações do coração, andaram para trás e não para a frente, 25desde o dia em que seus pais saíram do Egito até o dia de hoje. A todos enviei meus servos, os profetas, e enviei-os cada dia, começando bem cedo; 26mas não ouviram e não prestaram atenção; ao contrário, obstinaram-se no erro, procedendo ainda pior que seus pais. 27Se falares todas essas coisas, eles não te escutarão, e, se os chamares, não te darão resposta. 28Dirás, então: Esta é a nação que não escutou a voz do Senhor, seu Deus, e não aceitou correção. Sua fé morreu, foi arrancada de sua boca”.

- Palavra do Senhor
- Graças a Deus
Salmo 94 (95)

— Vinde, exultemos de alegria no Senhor, aclamemos o Rochedo que nos salva! A seu encontro caminhemos com louvores, e com cantos de alegria o celebremos!

R: Oxalá ouvísseis hoje a voz do Senhor: Não fecheis os vossos corações.

— Vinde adoremos e prostremo-nos por terra, e ajoelhemos ante o Deus que nos criou! Porque ele é o nosso Deus, nosso Pastor, e nós somos o seu povo e seu rebanho, as ovelhas que conduz com sua mão.

R: Oxalá ouvísseis hoje a voz do Senhor: Não fecheis os vossos corações.

— Oxalá ouvísseis hoje a sua voz: “Não fecheis os corações como em Meriba, como em Massa, no deserto, aquele dia, em que outrora vossos pais me provocaram, apesar de terem visto as minhas obras”.

R: Oxalá ouvísseis hoje a voz do Senhor: Não fecheis os vossos corações.
Evangelho de Jesus Cristo segundo São Lucas 11, 14-23

- Jesus Cristo, sois bendito, sois o ungido de Deus Pai!
- Voltai ao Senhor, vosso Deus; ele é bom, compassivo e clemente (Jl 2, 12s)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Lucas:

Naquele tempo, 14Jesus estava expulsando um demônio que era mudo. Quando o demônio saiu, o mudo começou a falar, e as multidões ficaram admiradas. 15Mas alguns disseram: “É por Belzebu, o príncipe dos demônios, que ele expulsa os demônios”. 16Outros, para tentar Jesus, pediam-lhe um sinal do céu. 17Mas, conhecendo seus pensamentos, Jesus disse-lhes: “Todo reino dividido contra si mesmo será destruído; e cairá uma casa por cima da outra. 18Ora, se até Satanás está dividido contra si mesmo, como poderá sobreviver o seu reino? Vós dizeis que é por Belzebu que eu expulso os demônios. 19Se é por meio de Belzebu que eu expulso demônios, vossos filhos os expulsam por meio de quem? Por isso, eles mesmos serão vossos juízes. 20Mas, se é pelo dedo de Deus que eu expulso os demônios, então chegou para vós o Reino de Deus. 21Quando um homem forte e bem armado guarda a própria casa, seus bens estão seguros. 22Mas, quando chega um homem mais forte do que ele, vence-o, arranca-lhe a armadura na qual ele confiava, e reparte o que roubou. 23Quem não está comigo está contra mim. E quem não recolhe comigo dispersa”.

- Palavra da salvação
- Glória a Vós, Senhor
Comentário do dia: São João Eudes (1601-1680)
Presbítero, Pregador, Fundador de institutos religiosos
O Reino de Jesus, 3-4 (trad. Breviário)
«O Reino de Deus já chegou até vós»
Devemos continuar a completar em nós os estados e mistérios da vida de Cristo e pedir-Lhe continuamente que Se digne consumá-los perfeitamente em nós e em toda a sua Igreja. Os mistérios de Jesus não chegaram ainda à sua total perfeição e plenitude. Chegaram certamente à sua perfeição e plenitude na pessoa de Jesus, mas não em nós, que somos seus membros, nem na Igreja, que é o seu corpo místico (Ef 5,30). Na verdade, o Filho de Deus deseja […] prolongar em certo modo os seus mistérios em nós e em toda a Igreja […]; quer completá-los em nós. Por isso diz São Paulo que Cristo realiza a sua plenitude na Igreja e que todos nós contribuímos para a sua edificação e para a idade da sua plenitude (Ef 4,13) […]. Também noutro lugar diz o mesmo apóstolo que completa na sua carne o que falta à Paixão de Cristo (Col 1,24).

Deste modo, o Filho de Deus determinou consumar e completar em nós todos os estados e mistérios da sua vida. Quer levar à plenitude em nós o mistério da sua encarnação, do seu nascimento, da sua vida oculta, e realiza-o formando-Se em nós e renascendo em nossas almas pelos santos sacramentos do baptismo e da sagrada eucaristia, e fazendo-nos viver uma vida espiritual e interior escondida com Ele em Deus. Quer completar em nós o mistério da sua Paixão, morte e ressurreição, fazendo-nos padecer, morrer e ressuscitar com Ele. Finalmente, quer realizar em nós o estado da sua vida gloriosa e mortal, quando nos fizer viver com Ele e nele uma vida gloriosa e imortal nos céus. […]

Neste sentido, os mistérios de Cristo não chegarão à sua plenitude senão no fim dos tempos, por Ele determinado para a realização plena dos seus mistérios em nós e na Igreja, isto é, no fim do mundo.

quarta-feira, 26 de março de 2014

O Anjo do Senhor anunciou a Maria

Redação (Terça-feira, 25-03-2014, Gaudium Press) Este talvez seja o mais espetacular acontecimento de todos os tempos: O Verbo Divino se fez homem.
A segunda pessoa da Santíssima Trindade encarnou-se no seio puríssimo de uma virgem, sem concurso de varão, por obra e graça do Divino Espírito Santo. 

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Sem dúvida, o maior ato de amor que já houve e poderá haver: Deus Pai envia o Filho para salvar a humanidade pecadora.

Um augusto ato de amor que redime... mas que passa, necessariamente, pelo sofrimento, pela dor...

Por instantes, a salvação dos homens depende de um ato de vontade da donzela pura, da Virgem que seria Mãe.

Um sim, um não: daqui nasceria a aceitação da "co-redenção", pois o ente santo que nasceria dela seria chamado Filho de Deus.

Dos lábios da Virgem pendia a salvação!
E suas poucas palavras foram a resposta da humildade, da aceitação, da confiança:
-Eis aqui a escravo do Senhor. Faça-se em mim segundo a Vossa palavra!
Seria um atrevimento querer narrar este acontecimento, ao mesmo tempo, simples e grandioso, particular e universal do relacionamento mais extraordinário e sublime entre o Criador e a criatura.

Só o Espírito Santo poderia narrá-lo. Foi assim:
"No sexto mês, 26 o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia, chamada Nazaré, 27 a uma virgem desposada com um homem que se chamava José, da casa de Davi e o nome da virgem era Maria.28 Entrando, o anjo disse-lhe: Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo.29 Perturbou-se ela com estas palavras e pôs-se a pensar no que significaria semelhante saudação. 30 O anjo disse-lhe: Não temas, Maria, pois encontraste graça diante de Deus. 31 Eis que conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus. 32 Ele será grande e chamar-se-á Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi; e reinará eternamente na casa de Jacó, 33 e o seu reino não terá fim. 34 Maria perguntou ao anjo: Como se fará isso, pois não conheço homem?35 Respondeu-lhe o anjo: O Espírito Santo descerá sobre ti, e a força do Altíssimo te envolverá com a sua sombra. Por isso o ente santo que nascer de ti será chamado Filho de Deus. 36 Também Isabel, tua parenta, até ela concebeu um filho na sua velhice; e já está no sexto mês aquela que é tida por estéril, 37 porque a Deus nenhuma coisa é impossível. 38 Então disse Maria: Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra.
E o anjo afastou-se dela." (Lc. 1, 26-38) (JSG
)

EVANGELHO DIÁRIO

Santo do dia: São Bercário, abade
Cor litúrgica: roxo
Evangelho de hoje: São Mateus 5, 17-19
Primeira leitura: Deuteronômio 4, 1.5-9
Leitura do livro do Deuteronômio:

Moisés falou ao povo, dizendo: 1"Agora, Israel, ouve as leis e os decretos que eu vos ensino a cumprir, para que, fazendo-o, vivais e entreis na posse da terra prometida que o Senhor Deus de vossos pais vos vai dar. 5Eis que vos ensinei leis e decretos conforme o Senhor meu Deus me ordenou, para que os pratiqueis na terra em que ides entrar e da qual tomareis posse. 6Vós os guardareis, pois, e os poreis em prática, porque neles está vossa sabedoria e inteligência perante os povos, para que, ouvindo todas estas leis, digam: 'Na verdade, é sábia e inteligente esta gande nação!' 7Pois qual é a grande nação cujos deuses lhe são tão próximos como o Senhor nosso Deus, sempre que o invocamos? 8E que nação haverá tão grande que tenha leis e decretos tão justos, como esta lei que hoje vos ponho diante dos olhos? 9Mas toma cuidado! Procura com grande zelo não te esqueceres de tudo o que viste com os próprios olhos e nada deixeis escapar do teu coração por todos os dias de tua vida; antes, ensina-o a teus filhos e netos".

- Palavra do Senhor
- Graças a Deus
Salmo 147

- Ó Sião, canta louvores ao teu Deus! Pois reforçou com segurança as tuas portas e os teus filhos em teu seio abençoou.

R: Glorifica o Senhor, Jerusalém!

- Ele envia suas ordens para a terra, e a palavra que ele diz corre veloz. Ele faz cair a neve como lã e espalha a geada como cinza.

R: Glorifica o Senhor, Jerusalém!

- Anuncia a Jacó sua palavra seus preceitos e suas leis a Israel. Nenhum povo recebeu tanto carinho a nenhum outro revelou os seus preceitos.

R: Glorifica o Senhor, Jerusalém!
Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus 5, 17-19

- Glória a Cristo, palavra eterna do Pai, que é amor!
- Senhor, tuas palavras são espírito, são vida; só tu tens palavras de vida eterna! (Jo 6, 63.68)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus:

Naquele tempo; disse Jesus aos seus discípulos: 17"Não penseis que vim abolir a Lei e os Profetas. Não vim para abolir, mas para dar-lhes pleno cumprimento. 18Em verdade, eu vos digo: antes que o céu e a terra deixem de existir, nem uma só letra ou vírgula serão tiradas da Lei, sem que tudo se cumpra. 19Portanto, quem desobedecer a um só destes mandamentos, por menor que seja, e ensinar os outros a fazerem o mesmo, será considerado o menor no Reino dos Céus. Porém, quem os praticar e ensinar será considerado grande no Reino dos Céus".

- Palavra da salvação
- Glória a Vós, Senhor
Comentário do dia : São Cipriano (c. 200-258)
Bispo de Cartago e mártir
A cobiça e a inveja, 12-15; CSEL 3, 427-430
O cumprimento da Lei: o amor em actos
Revelar o nome de Cristo, dizer-se cristão sem seguir a via de Cristo, não será trair este nome divino e abandonar o caminho da salvação? Porque o próprio Senhor ensina e declara que quem segue os seus mandamentos entrará na vida eterna (Mt 19,17), que aquele que escuta as suas palavras e as põe em prática é um sábio (Mt 7,24), e que aquele que as ensina e a elas é conforme nos actos será chamado grande no Reino dos céus. Toda a pregação boa e sã, afirma Ele, só aproveita ao pregador se a palavra que lhe sair da boca depois se traduzir em actos.

Ora, haverá mandamento que o Senhor mais tenha ensinado aos seus discípulos que o de nos amarmos uns aos outros com o mesmo amor com que Ele próprio os amou? (Jo 13,34; 15,12) Conseguiremos encontrar, de entre os seus conselhos conducentes à salvação e de entre os seus preceitos divinos, mandamento mais importante a ser seguido e observado? Mas como pode conservar a paz ou o amor do Senhor, aquele a quem a inveja tornou incapaz de agir como homem de paz e de coração?

Foi por esta razão que também o apóstolo Paulo proclamou os méritos da paz e da caridade, afirmando com determinação que nem a fé nem as esmolas, nem mesmo o sofrimento do confessor da fé e do mártir lhe servirão de coisa alguma, se não respeitar os laços da caridade (1Cor 13,1-3).

A ANUNCIAÇÃO DO SENHOR

Naquele tempo, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da
Galileia, chamada Nazaré, a uma Virgem, prometida em
casamento a um homem chamado José....
Se nos fosse dado contemplar a imensidade dos possíveis de Deus, ou seja, o incontável número de seres que Ele poderia ter criado Anunciacião do Senhor - Benvenuto Tisi - Galeria Nacional - Parma.jpgem sua onipotência, veríamos criaturas semelhantes às deste mundo, mas sem os seus característicos defeitos. Por exemplo, ouriços constituídos sem meios de causar mal aos homens; pernilongos lindíssimos dotados de uma picada agradável e benfazeja; urubus de figura tão elegante quanto os seus voos, e assim por diante.
Por que não pôs Deus no universo criaturas assim, sem qualquer defeito, as quais poderiam ter sido criadas e não o foram?
Pergunta esta de difícil resposta. O certo, porém, é que no universo no qual vivemos três criaturas são insuperáveis: a humanidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, unida hipostaticamente à divindade; a visão beatífica e Nossa Senhora.1 Todos os outros seres, considerados individualmente, poderiam ser mais perfeitos.
Ora, este mundo composto por criaturas com deficiências é, entretanto, ótimo no seu conjunto, como ensina São Tomás de Aquino: "O universo não pode ser melhor do que é, se o supomos como constituído pelas coisas atuais, em razão da ordem muito apropriada atribuída às coisas por Deus e em que consiste o bem do universo. Se apenas uma dessas coisas se tornasse melhor, a proporção da ordem estaria destruída, como a melodia de uma cítara ficaria destruída se uma corda se tornasse mais tensa do que deve".2
O universo criado por Deus tinha de ser o que mais O glorificasse, porque Ele não poderia ter escolhido criá-lo de forma nem um pouco inferior ao mais adequado. E tudo quanto nele existe de defectivo serve para o homem ter presente a sua debilidade, fraqueza e dependência contínua de Deus. Lembra-lhe, enfim, sua contingência. É deste mundo, com deficiências, que nós fazemos parte.
As considerações acima nos preparam para analisar o papel de Nossa Senhora na Criação, que é especialmente recordado na liturgia escolhida pela Igreja para a Solenidade da Anunciação do Senhor.


O "fiat" de Maria Santíssima
Sobre a conhecidíssima e tão comentada passagem evangélica da Anunciação, pareceria não haver nada de novo a dizer. Entretanto, como um vinho excelente apresenta aspectos diferentes em cada safra, assim também acontece com o magno acontecimento da Encarnação do Verbo, no qual sempre descobriremos novas e magníficas maravilhas.


As aparências não estão à altura do acontecimento
"Naquele tempo, 26 o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia, chamada Nazaré, 27 a uma Virgem, prometida em casamento a um homem chamado José. Ele era descendente de Davi e o nome da Virgem era Maria".
Antes de entrar na análise da narração de São Lucas, é mister voltarmos nossa atenção para o local onde Se encontrava Maria Santíssima ao ser visitada pelo Arcanjo São Gabriel. Não se tratava de um magnífico palácio, como tantos artistas imaginaram, mas de uma casa muito modesta, com paredes de tijolos aparentes. Estava situada em Nazaré, uma cidade então insignificante, na qual a Sagrada Família viverá na pobreza, humildade e apagamento.
Não há neste episódio outros elementos cujas aparências estejam à altura do acontecimento que ali se daria, a não ser a presença da Virgem Maria, e também a de São José. Pois o elevadíssimo grau de santidade de ambos certamente transluzia em seus gestos, fisionomias e em todo o seu modo de ser.


No momento da Anunciação, Nossa Senhora rezava
28a "O anjo entrou onde Ela estava...".
O que fazia Maria Santíssima quando o anjo chegou junto a Ela? Sem dúvida, rezava, talvez considerando a desastrosa situação na qual se encontrava a humanidade. O povo judeu havia se desviado da prática da verdadeira religião e os pagãos, a começar pelos romanos, viviam numa tremenda decadência moral. Chegara-se ao que São Paulo chama "plenitude dos tempos" (Ef 1, 10).
É assim, com Maria Santíssima orando ao Pai recolhida no seu aposento, que São Bernardo descreve a cena da Anunciação, pondo em realce a importância da oração para Deus manifestar-Se. Pois uma coisa é evidente: as preces d'Ela comoveram os Céus: "A saudação do anjo, feita com tanta reverência, indica quanto as orações de Maria haviam agradado ao Altíssimo"3 - afirma o Doutor Melífluo.
Numa de suas meditações sobre a vida de Cristo, São Boaventura nos apresenta a jovem Maria levantando-Se à meia noite no Templo para fazer sete súplicas diante do Altar e rezando desta forma: "Eu Lhe pedia a graça de presenciar o tempo no qual haveria de nascer aquela Virgem Santíssima que daria à luz o Filho de Deus, de conservar-me os olhos para poder vê-La, a língua para louvá-La, as mãos para servi-La, os pés para ir aonde Ela mandar e os joelhos para adorar o Filho de Deus em seu regaço".4
Sua humildade A impedia de concluir quem haveria de ser essa Dama à qual desejava ardentemente servir, mas, possuindo ciência infusa e recebendo graças sobre graças, foi tecendo considerações até conceber em seu espírito, com total nitidez, a figura moral do Messias prometido. Maria "concebeu Cristo em sua mente antes de concebê-Lo em seu ventre", afirma Santo Agostinho.5
Ao ver iluminar-se o aposento por uma luz sobrenatural e aparecer diante d'Ela o Arcanjo São Gabriel, Maria não deu o menor sinal de espanto. Segundo vários autores, entre eles São Pedro Crisólogo e São Boaventura, Ela estava "habituada às aparições angélicas, as quais não podiam deixar de ser frequentes para Aquela que Deus havia cumulado de tantas graças, que reservava para tão altos destinos, e que os anjos reverenciavam como sua Rainha e a própria Mãe de Deus".6 Podemos, inclusive, conjecturar que o próprio São Gabriel não Lhe fosse desconhecido.


A graça crescia n'Ela a cada instante
28b"... e disse: ‘Alegra-Te, cheia de graça, o Senhor está contigo!'".
A expressão usada pelo Anjo para saudá-La tem um sentido muito profundo no qual vale a pena nos determos.
Nosso Senhor Jesus Cristo, Salvador da humanidade, é a única criatura que possui a plenitude absoluta de graça. Ele a teve desde o início, sem qualquer possibilidade de aumento. E quando o Evangelho afirma que Jesus "ia crescendo em sabedoria, tamanho e graça diante de Deus e dos homens" (Lc 2, 52), refere-se às manifestações exteriores de sua santidade. "Mas interiormente o tesouro de dons celestes,que O tornavam agradável a Deus, era tão perfeito que não podia crescer de maneira alguma".7
Não acontecia o mesmo com Nossa Senhora. Ao longo de toda a sua vida, foi incessante seu progresso espiritual, ora devido aos méritos sobrenaturais obtidos pela prática de incontáveis boas obras, ora como fruto da sua oração humilde, confiante e perseverante, ora,Anunciação por Manuel Alvarez - Museu Federic Marés - Barcelona.jpg no fim da sua existência, por efeito do Sacramento da Eucaristia. E isto sem falar dos incrementos de graça, de incalculáveis proporções, experimentados por sua alma no momento da Encarnação do Verbo, aos pés da Cruz e por ocasião de Pentecostes.8
Não houve, portanto, um instante no qual Ela não tivesse mais graça do que no anterior, como bem exprime Campana: "Em todos os momentos de sua vida, Maria foi penetrada por inteiro pelos raios divinos da graça; em cada minuto de sua existência, sua vontade mostrou-se dócil em render a Deus homenagem e glória; todas as pulsações de seu Coração foram sempre para Deus. [...] Essa ascensão de Maria rumo ao ideal de santidade era contínua, uniforme, sem solavancos, sem interrupção".9
Assim, quando o anjo A proclama "cheia de graça", indica estar sua alma participando da vida divina no maior grau possível naquele instante; mas um minuto depois essa plenitude já seria maior. E conclui o mesmo Campana: "Maria progredia em graça porque n'Ela se desdobravam sem cessar novas capacidades de graça, as quais eram logo preenchidas. Precisamente nisto consiste a diferença característica entre a plenitude de santidade de Maria e a de Jesus Cristo".10


Plenitude de superabundância
Com base no Doutor Angélico, Garrigou-Lagrange distingue três plenitudes de graça: absoluta, exclusiva de Cristo; de superabundância, privilégio especial de Maria; e de suficiência, comum a todos os santos.11 E explica o insigne teólogo dominicano: "Essas três plenitudes subordinadas foram justamente comparadas à de uma fonte inesgotável, à do rio que dela procede e à dos canais alimentados por esse rio para irrigar e fertilizar as regiões por ele atravessadas, ou seja, as diversas partes da Igreja universal no espaço e no tempo".12
Assim, desde o momento de sua criação, Maria Santíssima participou da vida divina mais do que todos os Anjos e todos os bem-aventurados juntos. A tal ponto, que se Ela lhes distribuísse todas as graças das quais cada um deles tivesse necessidade, nada Lhe faltaria, pois, "sob a forma de méritos, de orações e de sacrifícios, esse rio de graça remonta a Deus, oceano da paz".13 A plenitude da graça de Maria, afirma São Lourenço de Bríndisi, "só é compreensível para Deus, pois só Ele abarca o abismo imenso e o quase infinito pélago dessa graça".14


Causa da perturbação de Maria
29 "Maria ficou perturbada com essas palavras e começou a pensar qual seria o significado da saudação".
A reação de Nossa Senhora mostra a profundidade do seu espírito. Dotada de ciência infusa, Ela entendeu perfeitamente o alcance da altíssima afirmação do anjo, considerando não apenas o significado imediato daquelas palavras, mas também suas consequências e correlações com o panorama da História.
Contudo, sendo cheia de graça, um dos seus predicados era a humildade mais excelsa. Em nada preocupada consigo mesma, todas as suas cogitações voltavam-se para Deus e a salvação da humanidade: Quando virá o Messias? Quando se dará a redenção?
A presença de São Gabriel não Lhe causou qualquer perturbação. Sua saudação, porém, deixou-A com um ponto de interrogação, pois não podia imaginar que aquelas palavras pudessem ser aplicadas a Ela. Conforme esclarece São Tomás: "A Bem-aventurada Virgem tinha uma fé expressa na Encarnação futura: mas, por ser humilde, não tinha tão alta ideia de Si mesma. E por isso era preciso que fosse informada a respeito da Encarnação".15


Medo de macular uma humildade ilibada
30 "O anjo, então, disse-Lhe: ‘Não tenhas medo, Maria, porque encontraste graça diante de Deus'".
Embora sem mancha de pecado original, Nossa Senhora foi criada em estado de prova e percebia com toda clareza a necessidade da vigilância. Temia aplicar a Si as palavras do Anjo e, cedendo em algo ao orgulho, acabar por ofender a Deus.
"Não tenhas medo, Maria" significava: "Não vos preocupeis, porque vossa humildade em nada será atingida". Com essas palavras, São Gabriel A exorta a ter confiança de que jamais sairá do reto caminho. Não em razão dos seus méritos. Ele não diz: "Não tenhas medo porque és forte", mas sim "porque encontraste graça diante de Deus".


E por que encontrou Ela graça diante de Deus?
A resposta, no-la dá São Bernardo: "Se Maria não fosse humilde, não desceria sobre Ela o Espírito Santo; e, se Este não descesse, Ela não conceberia pelo poder d'Ele. Pois como poderia conceber d'Ele sem Ele? É claro, portanto, que, para Ela conceber d'Ele, ‘o Senhor olhou para a humildade de sua serva' (Lc 1, 48) muito mais do que para a sua virgindade; e, embora tenha por sua virgindade agradado a Deus, foi pela humildade que concebeu".16
E nós também procedemos assim? Tomamos cuidado com a vaidade, como o fez Nossa Senhora nessa circunstância? Somos cientes de que um pensamento de orgulho consentido pode ser o ponto de partida para uma séria decadência na vida espiritual? Ou aceitamos com delícias qualquer elogio, real ou imaginário, que nos seja feito? O ato de virtude que Lúcifer e os anjos maus não praticaram no Céu, nem Adão e Eva no Paraíso Terrestre, Maria Santíssima o fez da forma mais perfeita possível. Que exemplo sublime Ela nos dá, a nós tantas vezes preocupados em obter honrarias devidas ou indevidas!


"Será chamado Filho do Altíssimo"
31"Eis que conceberás e darás à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus. 32 Ele será grande, será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus Lhe dará o trono de seu pai Davi. 33 Ele reinará para sempre sobre os descendentes de Jacó, e o seu reino não terá fim".
Nestes três versículos, o Anjo indica as extraordinárias características d'Aquele que Nossa Senhora haveria de conceber. Elas estavam em perfeita harmonia com a Sagrada Escritura, a qual Maria Santíssima conhecia como ninguém, e com a rica imagem do Messias formada por Ela em seu espírito, ao longo dos anos.
Imaginemos qual seria a reação de uma jovem recém-casada daquele tempo, ao receber de um anjo a notícia de que o seu filho haveria de ser grande tanto na ordem sobrenatural: "será chamado Filho do Altíssimo", quanto na natural: "o Senhor Deus Lhe dará o trono de seu pai Davi". Impossível excogitar algo mais elevado!
Maria, entretanto, reage diante da comunicação do Anjo dando novas mostras de humildade heroica. São Gabriel lhe anuncia que será a Mãe do mais importante dos filhos de Israel: do próprio Messias! E Ela o ouve tranquila e serena, porque as suas preocupações estavam bem longe da glória pessoal.


Perplexidade diante do anúncio
34"Maria perguntou ao anjo: ‘Como acontecerá isso, se Eu não conheço homem algum?'".
Aqui resplandece a Fé de todo incomum de Nossa Senhora, ante o anúncio feito pelo Anjo. Ao ouvi-lo dizer "conceberás e darás à luz Anunciaciação por Perris Fontaines - Museu de Arte - Gerona.jpgum filho", reconhece tratar-se de fato de uma mensagem divina, e não põe obstáculo algum à sua realização. Porém, entre as graças dasquais Ela estava plena, reluzia um insuperável amor à virtude da castidade. Desposada com São José, combinou com ele manterem-se virgens por toda a vida.17 E é nesse sentido que se deve entender a expressão "não conheço homem algum". Podemos supor ter havido longas conversas entre Ela e São José a esse respeito, chegando à conclusão de ser claramente inspirado por Deus o voto de castidade feito por ambos. Mesmo com essa convicção bem arraigada na alma, Ela não duvidara das palavras de São Gabriel. Apenas apresenta-lhe sua perplexidade, visando conhecer mais a fundo como haveria de concretizar-se o desígnio divino.


Origem inteiramente sobrenatural do Verbo Encarnado
35 "O anjo respondeu: ‘O Espírito virá sobre Ti, e o poder do Altíssimo Te cobrirá com sua sombra. Por isso, o menino que vai nascer será chamado Santo, Filho de Deus. 36 Também Isabel, tua parenta, concebeu um filho na velhice. Este já é o sexto mês daquela que era considerada estéril, 37 porque para Deus nada é impossível'".
Quem senão Deus, seu Criador, conhecia o amor extraordinário da Virgem Santíssima à virtude da pureza? Por isso Ele, que é a Delicadeza em essência, teve o cuidado de mandar o celeste mensageiro resolver com extraordinária elevação e reverência sua santa perplexidade.
Conhecendo por instrução divina o problema que a maternidade divina levantava n'Ela, o anjo Lhe mostra que, assim como havia concedido à sua prima Isabel conceber um filho na velhice, a Onipotência divina poderia fazê-La conceber sem concurso de varão. E Ela, resplandecente de sabedoria e inteligência, entende em toda a sua profundidade as explicações do Anjo e logo as aceita.
A origem inteiramente sobrenatural do Verbo Encarnado foi revelada naquele momento. Que considerações não deve ter feito Maria ao conhecer o alcance desse acontecimento! Maria gerou no tempo a mesma Pessoa gerada pelo Pai na eternidade
38 "Maria, então, disse: ‘Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em Mim segundo a tua palavra!'. E o anjo retirou-se".
A escravidão é o estado mais deplorável para uma criatura humana. Pelo Direito Romano, quem caía nessa situação era considerado coisa, res, perdendo todos os direitos próprios à pessoa humana. E quando a Virgem Maria disse: "Eis aqui a serva do Senhor", o fez com total consciência, colocando-Se por inteiro nas mãos de Deus, com absoluta confiança na sua liberalidade.
A partir desse ato de radical aceitação, todo ele feito de humildade e de fé, operou-se logo em seguida a concepção do Verbo Encarnado no seu seio virginal. Consideremos agora um aspecto particularmente comovedor desse fiat.
O Verbo de Deus foi gerado pelo Pai desde toda a eternidade. Conhecendo-Se a Si mesmo, Ele gerou um Filho eterno sem concurso de mãe alguma, de uma forma misteriosa que nossa inteligência não consegue compreender. Ora, logo após o consentimento da Virgem - "Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em Mim segundo a tua palavra" -, o Espírito Santo iniciou n'Ela o processo de gestação do Verbo Encarnado. Ela tornou-Se Mãe sem concurso de pai natural.
Há, pois, entre o Padre Eterno e Maria Santíssima um paralelo de impressionante grandeza: ao considerar suas próprias magnificências, Este gera o Filho na eternidade; e Maria, pondo nas mãos de Deus sua própria contingência, gera o Filho de Deus no tempo!
Por ser a mais humilde de todas as criaturas, Nossa Senhora reproduz de algum modo a geração do Verbo na eternidade, ao dar origem na Terra à natureza humana de Nosso Senhor. O Pai criou todas as coisas no Verbo e pelo Verbo; pela Encarnação, Maria vai permitir ao Filho oferecer-Se em sacrifício ao Pai, para a recuperação de todas as coisas degradadas pelo pecado.18
O grandioso plano da Encarnação e da Redenção do gênero humano esteve na dependência desse fiat de Maria, porque se, por uma hipótese absurda, Ela não tivesse aceitado, não teria havido a Redenção.


A festa da harmonia no Universo
Como vimos no início deste artigo, Deus escolheu, entre infinitas possibilidades, criar o melhor dos universos, no qual tudo se ajusta em função de Nosso Senhor Jesus Cristo. Porque se Ele tivesse criado todos os seres no seu grau máximo de perfeição surgiria, paradoxalmente, uma tremenda deficiência, maior do que qualquer outra que possamos conceber: a do Verbo Encarnado não poder oferecer nada de Si para tornar mais elevada a Criação.
Devemos, portanto, nos alegrar com as nossas limitações e, em certo sentido, até com nossos pecados, pois eles permitem a Nosso Senhor exercer a misericórdia, derramando sobre nós, por meio de Maria Santíssima, aquilo que n'Ele existe em plenitude absoluta.
Porém, a fecundidade do Preciosíssimo Sangue de Jesus é tal que, ao reparar e perdoar, Ele não só nos restaura aquilo que perdemos, mas nos traz um complemento, dando-nos ainda mais do que anteriormente possuíamos. Dessa maneira, podemos alcançar, pela graça divina, aquilo que os seres mais perfeitos, se fossem criados, teriam por natureza.
Ora, foi a Virgem Maria, com sua disponibilidade e obediência, quem introduziu no cerne da Obra divina a Criatura cume e modelo arquetípico de tudo quanto existe, da Qual tudo deflui. Por isso, a Solenidade da Anunciação do Senhor celebra a restauração da harmonia no universo. É a comemoração do dia em que a Criação passou a transluzir com um brilho todo divino, pelos méritos de Maria Santíssima. (Monsenhor João Clá Dias, EP)

Anunciação do Senhor

terça-feira, 25 de março de 2014

CONVITE DE MISSA

Hoje a Igreja festeja solenemente a Anunciação do Anjo à Nossa Senhora.

Bom dia!

Hoje a Igreja festeja solenemente a Anunciação do Anjo à Nossa Senhora.

Dia em que a Liturgia celebra o anúncio da Encarnação do Filho de Deus. O tema central desta grande festa é o Verbo Divino que assume nossa natureza humana, sujeitando-se ao tempo e espaço.

Nesta data, a eternidade entra no tempo ou, como afirmou o Papa São Leão Magno: “A humildade foi assumida pela majestade; a fraqueza, pela força; a mortalidade, pela eternidade.”

Com alegria contemplamos o mistério do Deus Todo-Poderoso, que na origem do mundo cria todas as coisas com sua Palavra, porém, desta vez escolhe depender da Palavra de um frágil ser humano, a Virgem Maria, para poder realizar a Encarnação do Filho Redentor:

“No sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia, chamada Nazaré, a uma virgem e disse-lhe: ‘Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo.’ Não temas , Maria, conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus. Maria perguntou ao anjo: ‘Como se fará isso, pois não conheço homem?’ Respondeu-lhe o anjo:’ O Espírito Santo descerá sobre ti. Então disse Maria: ‘Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra’” (cf. Lc 1,26-38).

Sendo assim, hoje é o dia de proclamarmos: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1,14a). E fazermos memória do início oficial da Redenção de TODOS, devido à plenitude dos tempos. É o momento histórico, em que o SIM do Filho ao Pai precedeu o da Mãe: “Então eu disse: Eis que venho (porque é de mim que está escrito no rolo do livro), venho, ó Deus, para fazer a tua vontade” (Hb 10,7). Mas não suprimiu o necessário SIM humano da Virgem Santíssima.

Viva a Rainha do Céu e da Terra!
Viva a Mãe de Deus é nossa!

segunda-feira, 24 de março de 2014

VIA SACRA

A devoção da Via Sacra consiste na oração mental de acompanhar o Senhor Jesus em seus sofrimentos conhecidos como a paixão de Nosso Senhor, a partir do Tribunal de Pilatos até o Monte Calvário.

Esta maneira de meditar teve origem no tempo das Cruzadas (século X). Os fiéis que peregrinavam na Terra Santa e visitavam os lugares sagrados da Paixão de Jesus, continuaram recordando os passos da Via Dolorosa de Jerusalém. Em suas pátrias, compartilharam esta devoção à Paixão. O número de 14 estações fixou-se no século XVI.

Há muitas meditações da Via Sacra. Aqui oferecemos uma das versões do "Guia da Devoção à Misericórdia Divina", adaptada, e a nova Via-Sacra, apresentada pelo Papa João Paulo II.

Via-Sacra
"Guia da Devoção à Misericórdia Divina"

Primeira Estação
Jesus é condenado à morte

V. Nós Vos adoramos, Senhor Jesus e Vos bendizemos
R. Porque pela Vossa santa cruz remistes o mundo.
... Senhor Jesus, por que Vos condenaram à morte? Que foi que fizestes que merecia a morte? Curaste doentes, alimentastes famintos, ressuscitastes os mortos, perdoastes aos pecadores, respeitastes as autoridades, trabalhastes para o bem da humanidade, fostes humilde, manso, bondoso, misericordioso. Por que esta sentença tão cruel e humilhante?
... O nosso orgulho, inveja, egoísmo, covardia, comodismo, calúnias, apego exagerado pelas coisas deste mundo Vos condenaram. Eis aqui o segredo da injusta sentença. Tenho que perguntar-me: o que eu fiz com Cristo? Não O condenei, por acaso, a morrer?
... Cristo, ajudai-me a viver o Vosso Evangelho até a morte.


A morrer crucificado
teu Jesus é condenado
por teus crimes, pecador (bis).

Segunda Estação
Jesus toma a cruz aos ombros
V. Nós Vos adoramos, Senhor Jesus e Vos bendizemos
R. Porque pela Vossa santa cruz remistes o mundo.
... Cristo, eis a Vossa cruz. Será que esta cruz é Vossa? Na verdade ela é nossa. Assumistes a nossa cruz. A grandeza e o peso desta cruz cresceram dos nossos pecados, que destruíram a ordem do amor. Todos os pecados do mundo nos Vossos ombros. O mundo grita, xinga, critica, está rindo em sua loucura... Cristo sofre e caminha em silêncio para me salvar.
... Cristo, Vossa Via-sacra foi para mim. Ajudai-me cada dia, pela manhã, partir para a minha via-sacra e ficai ao meu lado, porque sou fraco.
Com a cruz é carregado,
e do peso acabrunhado,
vai morrer por teu amor (bis).



Terceira Estação
Jesus cai por terra

V. Nós Vos adoramos, Senhor Jesus e Vos bendizemos
R. Porque pela Vossa santa cruz remistes o mundo.
... As forças estão se esgotando. Calor, solidão. A terra parece mover-se. Cristo tropeça, perde o equilíbrio e cai. Sente a terra, a poeira na boca. O peso da cruz o sufoca.
... Nós partimos cheios de confiança e um dia caímos. Percebemos no nosso caminho uma flor, uma ilusão e tivemos tanta vontade de levá-la. Então paramos, traímos o caminho difícil e ficamos longe do caminho de Cristo.
... Até quando vou ficar frio e passivo? Cristo, estou tão longe de Vós. Cristo, ajudai-me a partir de novo. Protegei-me contra minhas quedas que cansam e deixam vazio o meu coração. Quero seguir-Vos. Ajudai-me a levantar-me do meu pecado.

Pela cruz tão oprimido
cai Jesus desfalecido
pela tua salvação (bis).


Quarta Estação
Jesus encontra-se com Sua Mãe
V. Nós Vos adoramos, Senhor Jesus e Vos bendizemos
R. Porque pela Vossa santa cruz remistes o mundo.
... Quanta dor da Mãe neste encontro. Ela vai com Seu Filho. Ela vai na multidão despercebida, preocuapda com seus filhos. Não fala, vai junto com Jesus, preocupada com todos nós.
... Cristo, mostrai-nos Vossa Mãe humilde e dolorosa para nos comovermos e nos convertermos. Ajudai-nos a caminhar juntos com nossos irmãos, participar dos problemas deles, sofrer com eles como sofreu Maria -- Vossa e nossa Mãe.



De Maria lacrimosa
no encontro lastimosa,
vê a viva compaixão (bis).


Quinta Estação
Cirineu ajuda a carregar a cruz
V. Nós Vos adoramos, Senhor Jesus e Vos bendizemos
R. Porque pela Vossa santa cruz remistes o mundo.
... Cirineu atravessava o caminho por onde Cristo carregava a cruz. Pararam-no, o primeiro, desconhecido... Cristo aceita a ajuda. Aceita uma ajuda forçada de um homem teimoso. Deus Onipotente e Todo-poderoso permite que o homem O ajude. Deus precisa de um homem fraco. Tanta humildade!
... Nós também prcisamos dos outros. Nosso caminho é também duro e perigoso demais para podermos vencê-lo sozinhos. E tantas vezes, orgulhosos, afastamos as mãos que nos querem ajudar. Mais ainda, pensamos que Cristo é desnecessário em nossa vida. Queremos agir sozinhos. Ao lado de mim vai: amigo, esposa, marido, pai, mão, vizinho, companheiro do trabalho, irmão desconhecido... não posso ignorá-los. Todos juntos precisamos salvar o mundo.
... Cristo, que eu perceba e aceite com humildade os meus irmãos Cirineus que caminham comigo e também aqueles que foram forçados a caminhar comigo.
No caminho do Calvário
um auxílio necessário
recebe do Cirineu (bis).

Sexta Estação
Verônica enxuga o rosto de Jesus
V. Nós Vos adoramos, Senhor Jesus e Vos bendizemos
R. Porque pela Vossa santa cruz remistes o mundo.
... Verônica olhava para Seu rosto. Rosto sujo, cansado. Cabelos grudados com poeira, sangue e suor. Estremeceu em si, não podia esperar mais. Na presença dos soldados e inimigos enxugou o rosto de Cristo. O rosto doloroso de Cristo imprimiu-se no pano e no coração. Precisamos olhar o Cristo, para nos tornarmos um pouco semelhantes a Ele. Passamos tantas vezes ao lado de Cristo e nem sequer olhamos para o rosto dEle. Por isso somos apenas tirstes máscaras Suas e não temos semelhança com Ele.
... Desculpe, Jesus, os meus impuros olhares. Os outros não podem ver em mim Vossa luz e Vossa imagem.
... Desculpe, Jesus, o meu corpo desejoso de prazeres. Ninguém consegue descobrir em mim um pouco de Vós.
... Desculpe, Jesus, o meu coração cheio de ódio e egoísmo. Ninguém consegue descobrir nele o Vosso amor.
... Ajudai-me, Senhor a ser a Vossa viva imagem.

O Seu rosto ensangüentado
por Verônica enxugado
contemplemos com amor (bis).

Sétima Estação
Jesus cai pela segunda vez
V. Nós Vos adoramos, Senhor Jesus e Vos bendizemos
R. Porque pela Vossa santa cruz remistes o mundo.
... Cristo está no fim das Suas forças. O peso da cruz, o calor, o caminho em subida,... as forças se esgotam, o cansaço cresce. Cristo cai de novo por terra. São os pecados horríveis que o oprimem. Tão depresa acostumo-me a praticar o mal. Falta de fidelidade, falta de prudência. Não enxergo mais nada -- só o mal. Procuro o mal. Estou caído, desanimado. Não vejo os outros no caminho, meus olhos fechados, meus ouvidos surdos. Mas tenho medo de ficar assim. Sei que essa não é a posição digna, humana.
... Cristo, dai a mão a um mísero caído, levantai-me, sacudi a poeira pecaminosa dos meus olhos, lavai-me da minha sujeira. Dai-me novas forças para que eu possa levantar-me e caminhar ao Calvário da vitória, a glória final.

Outra vez desfalecido
pelas dores abatido
cai por terra o Salvador (bis).


Oitava Estação
Jesus consola as mulheres piedosas
V. Nós Vos adoramos, Senhor Jesus e Vos bendizemos
R. Porque pela Vossa santa cruz remistes o mundo.
... As mulheres choram, lamentam, vendo Cristo. Não podem ajudar, limitam-se a chorar. Têm pena de Cristo.
... Cristo, embora cansado, percebeu-as, ouviu-as. É mais conveniente chorar os nossos pecados, porque a causa da via dolorosa de Cristo são nossos pecados. Dignos de lamentação somos nós, pecadores.
... Perceber os pecados dos outros é sempre mais fácil do que chorar os nossos.
... Cada um passa diante do meu tribunal; o mundo todo -- prefiro jultar os outros do que a mim e descubro facilmente culpados: bêbados, preguiçosos, fofoqueiros, falsos, mentirosos, injustos, egoístas -- só eu o perfeito.
... Cristo, ajudai-me a descobrir uma verdade muito velha e sempre nova: que sou pecador e isso preciso lamentar.
Das matronas piedosas
de Sião filhas chorosas
é Jesus consolador (bis).

Nona Estação

Jesus cai pela terceira vez
V. Nós Vos adoramos, Senhor Jesus e Vos bendizemos
R. Porque pela Vossa santa cruz remistes o mundo.
... Cristo cai de novo. Os soldados batem. Cristo não se mexe. Senhor, morrestes?!
... Ainda não, as forças quase acabaram. Restou ainda um pedacinho do caminho: dois, três passos... Neste estado isso é quase impossível. Senhor, caístes a terceira vez, mas já no alto do Calvário onde vão levantar a cruz.
... Eu também caí de novo. Sempre estou caindo. Às vezes duvido se poderei levantar-me. Mas vendo-Vos a meu lado, recupero as minhas forças e certamente vencerei com Vossa graça.

Cai terceira vez prostrado
pelo peso redobrado
dos pecados e da cruz (bis).

Décima Estação
Jesus é despido das Suas vestes
V. Nós Vos adoramos, Senhor Jesus e Vos bendizemos
R. Porque pela Vossa santa cruz remistes o mundo.
... Cristo não tinha mais nada a não ser uma veste. Mas isto foi ainda demais. Agora não existe mais nada entre o corpo de Cristo e a cruz. Os homens uniram a cruz e o corpo para sempre.
... Cristo, Vossa veste era comprida, digna da pessoa humana. Nós precisamos abandonar também as vezes, vestes provocantes, indecentes, para que possamos defender nossa dignidade humana.
... Senhor, fazei que morra tudo em mim que ofende a Vossa santa vontade. Gosto tanto de muitas coisas pequenas que são minhas, mas se isso for necessário para viver verdadeiramente, tira tudo de mim. É melhor morrer, para depois viver. Assim como o grão que precisa morrer para dar frutos.

Dos vestidos despojado
por verdugos maltratado
eu Vos vejo, meu Jesus (bis).

Décima Primeira Estação
Jesus é pregado na cruz
V. Nós Vos adoramos, Senhor Jesus e Vos bendizemos
R. Porque pela Vossa santa cruz remistes o mundo.
... Cristo estendido na cruz, cobre-a perfeitamente para ser unido perfeitamente a ela. Os pregos atravessam o corpo. Cristo permite que o homem apanhe brutalmente as mãos e os pés dEle e pregue na cruz. Agora nenhum movimento é possível.
... Nós também precisamos aceitar a nossa cruz na hora presente. Não podemos escolher. Temos que aceitar a nossa cruz. Ela é pronta, feita para meu tamanho, feita dos meus sofrimentos. Temos que apegar-nos a ela.
... Isto não é fácil. Mas não posso encontrar o Cristo de outra maneira. Cristo espera por mim na cruz para, junto com Ele, redimir o mundo, nossos irmãos.

Foi Jesus na cruz pregado
insultado, blasfemado
com cegueira e com furor (bis).


Décima Segunda Estação
Jesus morre na cruz
V. Nós Vos adoramos, Senhor Jesus e Vos bendizemos
R. Porque pela Vossa santa cruz remistes o mundo.
... As três horas de agonia são tão compridas, parecem sem fim. Mas compridas do que três anos, do que trinta anos de vida. Tudo preparado. Cristo morre. A vida pára, o coração não bate mais. O Coração grande como o mundo -- o mundo de pecados que carrega em si.
... O mundo talvez ainda não saiba, mas, inconscientemente, estende os braços gritando: "salvai-nos, salvai-nos, Senhor, não podemos mais viver assim, tirai-nos do pecado".
... Quando eu morrer, Cristo, deixai-me entregar o meu coração a Vós, morrer para Vós, para viver em Vós.
Meu Jesus, por nós morrestes,
por meus crimes padecestes,
como é grande a minha dor (bis).

Décima Terceira Estação
O corpo de Jesus é depositado nos braços da Mãe
V. Nós Vos adoramos, Senhor Jesus e Vos bendizemos
R. Porque pela Vossa santa cruz remistes o mundo.
... A Vossa obra, Cristo, é consumada. os pregos são desnecessários. Agora podeis descer e descansar. Devagarinho descem-no da cruz. A Mãe recolhe-O nos seu braços. Tanta dor atravessou a sua alma, mas agora...
... Nós também estamos cansados, vamos adormecer um dia para sempre. Mas em que estado vamos morrer?
... Nossa Mãe: vigiai sobre nós cada noite. Tomai-nos nos Vossos braços na última hora, não largueis-nos nunca, por favor. Não esqueçais de nós, pois sois o "Refúgio dos pecadores".

Do madeiro Vos tiraram
e à Mãe Vos entregaram
com que dor e compaixão (bis).

Décima Quarta Estação
Jesus é depositado no sepulcro
V. Nós Vos adoramos, Senhor Jesus e Vos bendizemos
R. Porque pela Vossa santa cruz remistes o mundo.
... Cristo é depositado no sepulcro. Na entrada, uma grande pedra. Os amigos não podem mais ajudar. Resta a esperança na ressurreição.
... Nossa ressurreição será no fim do caminho. Embora o caminho seja difícil, sabemos que Cristo espera por nós na Sua glória.
... Senhor, ajudai-nos a atravessar este caminho fielmente.




No sepulcro Vos deixaram,
enterrando-Vos choraram,
magoado o coração (bis).

A Via-Sacra segundo os Evangelhos

O Santo Padre João Paulo II introduziu nova seqüência das cenas na Via Sacra que promove no Coliseu, em Roma, optando pelas narrações dos Evangelistas. É esta sucessão que estamos propondo aqui, com as próprias palavras da Sagrada Escritura.

As novas Estações são:
1. Jesus ora no Horto de Getsêmani, Monte das Oliveiras
Mt 26,36-46; Mc 14,32; Lc 22,39; Jo 18,1
2. Jesus, traído por Judas, é aprisionado
Mt 26,47-56; Mc 14,43; Lc 22,47; Jo 18,2
3. A condenação de Jesus perante o Sinédrio
Mt 26,57-66; Mc 14,53; Lc 22,54; Jo 18,19
4. As negações do Apóstolo Pedro
Mt 26,69-75; Mc 14,66; Lc 22,55; Jo 18,15
5. Jesus entregue a Pilatos
Jo 18,28; Mt 27,11; Mc 15,2; Lc 23,2
6. A flagelação e a coroação de espinhos de Jesus. Ludíbrio.
Jo 19,1; Mt 27,24; Mc 15,15; Lc 23,24
7. Jesus carrega a Cruz
Lc 22,26; Mt 27,31; Mc 15,20; Jo 19,16
8. Jesus e Simão Cirineu
Lc 22,26; Mt 27,32; Mc 15,21
9. O encontro de Jesus com as mulheres de Jerusalém
Lc 22,27; Mt 27,33
10. A crucificação de Jesus
Jo 19,18; Mt 27,35; Mc 15,24; Lc 23,33
11. Jesus e o bom ladrão
Lc 23,35; Mt 27,39; Mc 15,29; Lc 23,35
12. Maria Santíssima e o Apóstolo João ao pé da Cruz de Jesus
Jo 19,25-27
13. A morte de Jesus
Mt 27,45; Mc 15,33; Lc 23,44; Jo 19,28
14. Jesus deposto no sepulcro
Mc 15,42; Mt 27,57; Lc 23,50; Jo 19,38

O TERÇO DOS HOMENS MEDITAM NA VIA SACRA NESTA ULTIMA SEXTA-FEIRA NA IGREJA DE SÃO FRANCISCO DE ASSIS

A devoção da Via Sacra consiste na oração mental de acompanhar o Senhor Jesus em seus sofrimentos conhecidos como a paixão de Nosso Senhor, a partir do Tribunal de Pilatos até o Monte Calvário.

Esta maneira de meditar teve origem no tempo das Cruzadas (século X). Os fiéis que peregrinavam na Terra Santa e visitavam os lugares sagrados da Paixão de Jesus, continuaram recordando os passos da Via Dolorosa de Jerusalém. Em suas pátrias, compartilharam esta devoção à Paixão. O número de 14 estações fixou-se no século XVI.








sexta-feira, 21 de março de 2014

Para quem confia em si próprio e não em Deus, está fadado à infelicidade, afirma o Papa

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Cidade do Vaticano (Quinta-feira, 20-03-2014, Gaudium Press) O homem está fadado à infelicidade quando confia apenas em si mesmo, nas próprias riquezas ou nas ideologias, segundo o Santo Padre, que presidiu nesta quinta-feira, 20, a tradicional Missa na Casa Santa Marta.
 
Comentando a primeira leitura do dia, extraída do Livro de Jeremias (Jr 17, 5-10), que afirma: "bendito o homem que se fia no Senhor", o Pontífice acredita que "a nossa confiança está somente no Senhor", pois "não precisamos de outras coisas, de outras ideologias. Do contrário, o homem se fecha em si mesmo, sem horizontes, sem portas abertas e sem salvação".

O Papa ressaltou que "todos nós temos esta fraqueza, esta fragilidade de depositar as nossas esperanças em nós mesmos ou nos amigos, ou somente nas possibilidades humanas e nos esquecemos do Senhor", o que nos leva ao caminho da infelicidade.

Logo depois, o Santo Padre argumentou com os fiéis:
"Hoje, neste dia de Quaresma, nos fará bem questionar: onde está a minha confiança? No Senhor ou sou um pagão que confio nas coisas, nos ídolos que fiz? Ainda tenho um nome ou comecei a perder meu nome?

Porém, o Papa Francisco lembrou que, "no final, há uma porta de esperança" para os que confiam em si mesmos e "perderam o nome".

Finalizando sua homilia, o Pontífice disse que Deus sempre nos espera para abrir uma porta que nós não enxergamos para nos chamar de "filho".

"Peçamos ao Senhor a graça que a todos nós dê a sabedoria de confiar somente n'Ele, não nas coisas, nas forças humanas, somente n'Ele", concluiu. (LMI)

Santuário da Mãe e Rainha de Schoenstatt de Brasília celebra sua fundação

Brasília (Quinta-feira, 20-03-2014, Gaudium Press) Mais de 3 mil fiéis peregrinos participaram das celebrações deste último domingo, 16, em homenagem aos 14 anos de inauguração do Santuário da Mãe e Rainha Três vezes Admirável de Schoenstatt.
Iniciando com a Benção do Santíssimo Sacramento, a Festa seguiu com uma palestra ministrada pelo Padre Adilson Antônio Costa, Capelão do Santuário, proporcionando uma dinâmica com os presentes.

santuario_da_mae_e_rainha.jpg
O sacerdote aproveitou o momento para exortar os peregrinos usando as palavras proferidas pelo Papa em sua Exortação Apostólica intitulada "Evangelii Gaudium" (A Alegria do Evangelho), afirmando que "todos os cristão batizados são missionários e um missionário não pode jamais perder o entusiasmo, a alegria, a esperança", pois deve-se encontrar inserido na comunidade, sempre em contato com o Evangelho do Senhor e manter vivo dentro de si o amor fraterno.

"Somos uma missão nesta terra. Na Aliança de Amor com a Mãe, estar em Aliança também com o irmão", disse o Padre Adilson.

Após a palestra, os peregrinos se confessaram com os sacerdotes que estavam presentes no evento, entre ele, o Bispo Auxiliar da Arquidiocese Militar do Brasil, Dom José Francisco.

Além disso, o grupo local do Terço dos Homens auxiliaram o encontro, recitando os mistérios do Santo Terço.

Chegando prestes ao final das celebrações, houve a Santa Missa presidida pelo Bispo Auxiliar de Brasília, Dom José Aparecido, que iniciou sua homilia ressaltando o XIV Aniversário do Santuário Tabor da Esperança, no ano Centenário da Aliança.

Ao retratar o evangelho, que narra o momento da Transfiguração do Nosso Senhor Jesus Cristo no Monte Tabor, Dom Aparecido afirmou que "nós dispomos de uma única morada", que é o próprio Cristo, "Palavra de Deus".

"A Transfiguração não é a transformação de Jesus, mas, sim a revelação da sua divindade da sua luz, Ele é a luz da luz, luz que ilumina nossas trevas, ilumina nossas dores e dá sentido a cada uma delas", completou.

O prelado não deixou de ressaltar a presença viva de Jesus na Quaresma, pois, segundo ele, esse tempo não é feito de tristeza, mas sim de alegria de quem se entrega ao Senhor através de pequenas obras e penitência.

"Com a Igreja, hoje suplicamos ao Pai copiosas bênçãos celestes para a Família de Schoenstatt e os peregrinos que procuram no silêncio de Maria a profunda vida no Espírito e no coração da Igreja", concluiu Dom Aparecido. (LMI)

Da redação Gaudium Press, com informações Arquidiocese de Brasília