Igreja

Rádio GOTHMLP

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Perguntas que todos fazem: Por que tantos sofrimentos neste mundo?

O sofrimento faz parte da nossa existência na Terra. Ao observar a realidade humana vemos tantos problemas, doenças, desentendimentos, inveja, pobreza, calamidades climáticas etc.
Então pergunta-se: porque tantos sofrimentos neste mundo? Porque se dão tantos acontecimentos ruins? Como explicar porque a Providência divina permite tantos dissabores e Deus não intervém logo e afasta tantos padecimentos?
O sofrimento entrou no mundo por causa do pecado. O primeiro plano de Deus para o homem era sem o sofrimento. As pessoas viveriam num paraíso e, dependendo de seu amor a Deus, iriam mais ou menos rápido para o Céu, sem passar pela morte. E no Céu desfrutariam a mais completa felicidade de corpo e de alma.
Mas o pecado de Adão e Eva cortou esse plano. Retirando as graças especiais que havia concedido, Deus estabeleceu um novo plano: aquele desejo de felicidade completa realizar-se-á, mas só no Céu; o homem deixou de viver num paraíso, e terá de habitar a Terra (vale de lágrimas), por um certo tempo, para adquirir méritos que lhe permitam ir ao Céu, após a morte, à qual ficou sujeito.
Como adquirir esses méritos? Esforçando-se (ou seja, sofrendo) para conhecer a verdade, o bem e o belo, bem como para conseguir os bens de sua sobrevivência; lutando contra a péssima inclinação para o mal, que o pecado original deixou em nossa  alma; lutando contra as adversidades da natureza, e ainda contra àqueles que cedem às tentações (do mundo, do demônio e da carne) e formam o chamado “partido dos filhos das trevas” que atuam no sentido de transformar a terra num lugar de perdição do maior número de pessoas.
Cada um pode comprovar, em si mesmo, a existência dessa inclinação para o mal: é mais fácil ser mau do que bom; é mais difícil trabalhar do que ceder à preguiça; mais fácil ser ladrão do que honesto; mentir do que dizer sempre a verdade…  A tal ponto é difícil lutar contra essas más inclinações, que o Catecismo nos ensina que, sem ajuda da graça, não pode o homem perseverar longo tempo sem pecar.
Precisamente, o mérito do homem, que o habilita a ir para o Céu, consiste em lutar contra essas más inclinações e vencê-las. Ou seja, em sofrer.
Assim sendo, uma pessoa que não tiver provações, dificuldades, contrariedades, não conseguirá adquirir méritos. Deus dará a cada pessoa um grau de felicidade perfeita conforme ela lutou, sofreu e batalhou para conhecer, amar, praticar o bem e combater o mal. Com a circunstância de que as penas e contrariedades desta vida são passageiras, enquanto o Céu é eterno. Uma pessoa pode permanecer  80 anos nesta vida, enfrentando todo tipo de mal, mas se o fizer com a resignação e fortaleza que Deus pediu, vai ser recompensada no Céu, para sempre.
Deus permite o sofrimento porque há um motivo sério e lógico para tal. Não o faz por vingança, nem deixa que algo nos falte, devido a desinteresse por nós. Isso não seria lógico, e admiti-lo implicaria negar a perfeição de Deus. Pois, abolindo-se esta visão católica da finalidade do homem na Terra, resta-nos um mundo em que sofremos sem entender o motivo; em que procuramos o prazer, mas não o encontramos senão fugaz e decepcionante. No fundo, torna-se um local de frustração, porque não iremos encontrar a única que realmente tem valor aqui na terra: participação incoativa na bem-aventurança eterna.
Nosso Senhor Jesus Cristo foi o maior exemplo de sofrimentos. Padeceu na Cruz, sendo humilhado até o fim por seus algozes
Se nesta vida devemos adquirir méritos de tanto valor para a eternidade, eliminar a capacidade de obtê-los seria um mal, e não um bem. Obviamente, Deus conhece nossas capacidades, e nunca vai nos enviar um sofrimento superior ao que conseguiríamos suportar. Mas tais sofrimentos, Ele quer que os suportemos de forma digna, decidida. Exemplo frisante de confiança e resignação em face dos sofrimentos é de Jó, um santo do Antigo Testamento.
Esse segundo plano de Deus tem ainda algo maravilhoso: é a possibilidade de uns, por meio das orações de sofrimentos, adquirir méritos para os outros. Quer dizer, por um admirável jogo da graça, podemos conseguir para outros aquilo que eles normalmente não conseguiram para si mesmos. E podemos consegui-lo para esta vida e para a vida eterna.
Podemos realizar boas ações, pedindo a Deus uma graça, uma consolação, uma ajuda nesta vida para alguma pessoa a quem se quer bem. Em relação à outra vida, podemos pedir pela libertação das almas do purgatório.
Neste sentido, uma pessoa que carrega muitos sofrimentos é o verdadeiro rico, pois tem a riqueza dos méritos, podendo distribuí-los pela chamada Comunhão dos Santos. E uma pessoa que só tem os prazeres passageiros que a vida oferece é, pelo contrário, um verdadeiro pobre, que no dia do Juízo Particular não terá nada, ou quase nada para apresentar como mérito. Santo Afonso de Ligório, assistido na morte por Nossa Senhora, foi verdadeiramente rico na hora do Juízo Particular, devido às virtudes heróicas que praticou em vida.

As maiores alegrias resultam do sofrimento
No alto da Cruz, tendo cumprido sua missão e redimido o gênero humano, Nosso Senhor alcançou o auge da felicidade. Ele tinha completado tudo que foi chamado a realizar, e pode dizer: “Consummatum est!” (Tudo está consumado, Jo 19,30). Deus, que poderia ter dado uma simples gota de seu sangue para operar a Redenção, desejou dar tudo, absolutamente tudo.
A Santíssima Virgem esteve sempre ao lado de seu Filho, e a Igreja, tão apropriadamente, a chama “Mãe sofredora”.  Ela desejou e permitiu a morte de seu divino Filho pelos pecados dos homens, sofreu com Ele e por Ele, por homens indiferentes ou cúmplices da crucifixão, aos quais Ele havia feito apenas o bem.
Não há área de atividade humana em que a alegria de realizar algo não esteja na proporção de sua dificuldade. No que diz respeito à virtude, o mesmo se dá com a alegria de ter cumprido o dever, amando e vendo-se amado por Deus.
A felicidade só é alcançada quando o homem, que tem um desejo crescente de felicidade, encontra para saciá-lo o Ser infinito, que é Deus. E isto pode se dar já aqui na vida terrena, desde que a pessoa pratique a virtude, o que se dá sempre, de uma forma ou de outra, por meio do sofrimento. Mas que, nesse caso, tem por cima a graça de Deus, obtidas por meio de Nossa Senhora, a Causa de nossa alegria (Causa nostrae laetitiae).

Fonte: Vocacionados Menores

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